ULS de Coimbra participa em programa europeu dedicado à equidade de género na saúde
O programa reuniu estudantes e docentes de Portugal e de outros países num formato “intensivo” de ensino superior internacional
A partir da análise da disparidade entre a percentagem de mulheres profissionais de saúde e a percentagem de mulheres em cargos de liderança na área da Saúde que a Unidade Local e Saúde de Coimbra (ULS de Coimbra) participou, este mês, no programa europeu Blended Intensive Programme (BIP) Erasmus+ “Diversity and Sex/Gender in Health”, realizado na Universidade de Medicina de Innsbruck, na Áustria. O programa “reuniu estudantes e docentes de Portugal, Áustria, Alemanha, Malta, China, Venezuela e outros países, num formato intensivo de ensino superior internacional”, segundo a ULS de Coimbra.
A Unidade Local de Saúde esteve representada por Inês Rosendo, Diretora Clínica para os Cuidados de Saúde Primários da ULS de Coimbra e professora associada da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, que assegurou sessões sobre equidade nos Cuidados de Saúde Primários e viés de género na prática clínica e na evidência científica.
Diana Vilela Breda, Diretora do Serviço de Cooperação e Relações Internacionais da ULS de Coimbra e da Women in Global Health Portugal, apresentou a sessão “Who Carries the Burden of Care? Integrated Health Systems, Gender Equity and Leadership”, mostrando como sistemas de saúde integrados, quando bem desenhados e implementados, podem ser instrumentos concretos de igualdade de género. “70% dos profissionais de saúde no mundo são mulheres, mas elas ocupam apenas 25% dos cargos de liderança”, destaca Diana Vilela Breda, acrescentando que, “ao mesmo tempo, são as mulheres que prestam três quartos de todo o trabalho de cuidado informal, não remunerado e invisível nas estatísticas, que é avaliado pela OIT em 11 mil milhões de dólares anuais. Quando os sistemas de saúde falham na coordenação de cuidados é maioritariamente para as mulheres que o peso é transferido”.
“Melhorar a saúde das mulheres não é criar um sistema paralelo, mas sim co-construir um sistema de saúde que funcione verdadeiramente para todas as pessoas”, frisa Inês Rosendo. “A investigação reconhece que as mulheres são tratadas de forma diferente nos sistemas de saúde. Estão, por exemplo, sub-representadas nos ensaios clínicos, a sua dor é mais frequentemente desvalorizada e o seu papel enquanto cuidadoras é assumido pelo sistema como garantido”, explica a médica.
“É urgente mudar este padrão, integrando cuidados de saúde, sociais e comunitários em torno das pessoas e valorizando a voz das mulheres. A participação da ULS de Coimbra neste programa europeu reflete o nosso compromisso com uma saúde mais inclusiva, baseada na evidência e orientada para as pessoas. A equidade de género, tanto na prestação de cuidados como no acesso à liderança, é um fator de qualidade dos sistemas de saúde e um desafio que exige conhecimento, cooperação internacional e capacidade de transformação. É esse o contributo que a ULS de Coimbra quer continuar a dar”, garante Francisco Maio Matos, Presidente do Conselho de Administração da ULS de Coimbra.
Autor: Jornal Frontal
