Quinta-feira, 30 de Abril de 2026 às 19:53

Equipa projeto reconhecimento social enfermeiros: Isabel Fernandes, Luís Batalha, José Miguel Seguro e Paulo Alexandre Ferreira © ESEUC

Equipa projeto reconhecimento social enfermeiros: Isabel Fernandes, Luís Batalha, José Miguel Seguro e Paulo Alexandre Ferreira © ESEUC

Saúde

Portugueses têm “visão anacrónica” da profissão de enfermeiro

Os investigadores da Universidade de Coimbra dizem ser “preciso comunicar melhor a profissão e os múltiplos papéis que os enfermeiros desempenham”.

Um estudo científico, hoje divulgado pela Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra (ESEUC), revelou que os cidadãos portugueses têm uma visão anacrónica da profissão de enfermeiro, o grupo profissional mais numeroso no sistema de saúde.

Citados numa nota enviada à Comunicação Social, os professores da ESEUC Luís Batalha, Isabel Fernandes e Paulo Alexandre Ferreira e o investigador José Miguel Seguro, autores do estudo “(Re)Conhecimento Social dos Enfermeiros – Perceções na sociedade portuguesa”, referiram que os resultados “refletem uma realidade paradoxal”.

Embora os enfermeiros “sejam amplamente reconhecidos pela sua empatia, profissionalismo e dedicação, sendo frequentemente descritos como cuidadosos, atenciosos e empáticos, essa imagem positiva não tem correspondência proporcional no reconhecimento social e na valorização da profissão”, sublinhou a equipa científica.

A esse propósito, os investigadores defenderam que é preciso comunicar melhor a profissão e os múltiplos papéis que os enfermeiros desempenham.

De acordo com alguns dados divulgados no comunicado, os enfermeiros portugueses “não são considerados submissos nem autónomos, nem seguidores ou líderes, ficando a meio caminho nestes descritores opostos”.

Dos 296 inquiridos no estudo – 29,1% dos quais profissionais de saúde – 61,5% disse não concordar ou não concordar nada com a opinião de que enfermeiros e enfermeiras podem tomar decisões autonomamente, ou seja, apenas uma baixa percentagem pensa o contrário.

Também a capacidade de investigação daqueles profissionais é, para os inquiridos, diminuta, o que traduz, segundo os autores da ESEUC “uma visão anacrónica da profissão, ainda associada ao cumprimento de tarefas e não à tomada de decisão clínica fundamentada”.

No entanto, os portugueses inquiridos, têm opinião positiva sobre os enfermeiros, que qualificam como profissionais atenciosos (84,4%), simpáticos (83,8%), calorosos (77,7%) e empáticos (74%).

A esmagadora maioria das respostas (84,5%) está ainda de acordo com a ideia de que “a profissionalização da enfermagem está a aumentar”, fruto de um “desenvolvimento cada vez maior dos seus conhecimentos e competências”.

O mesmo já não sucede quanto à “alta atratividade da profissão” (58,5% concordam ou estão totalmente de acordo com esta asserção), embora os portugueses inquiridos tenham respondido maioritariamente (65,9%) que encorajariam os filhos a estudar enfermagem.

Já quanto à comparação com outras profissões, numa classificação segundo o prestígio socioeconómico (numa escala de 1 a 10 pontos), a amostra coloca os enfermeiros (7,5) quase ao mesmo nível que os advogados (7,8), os engenheiros (7,7) e os professores (7,3).

A forma como a enfermagem é valorizada em termos de reconhecimento social está para a maioria (72,6%), dos inquiridos “abaixo do que deveria ser”, o mais baixo de quatro níveis.

O estudo nacional hoje divulgado, cujos resultados vão ser aferidos até 2031, enquadra-se no projeto internacional “EQUANU – Equality in social and professional recognition of nurses”, liderado pela universidade de Antuérpia (Bélgica).

Este projeto pretende investigar, nos próximos cinco anos, a evolução da imagem social dos enfermeiros em dez países na Europa: para além de Portugal e da Bélgica, participam instituições da Alemanha, Eslovénia, Espanha, Grécia, Itália, Noruega, Países Baixos e República Checa.

EnfermeiroSaúde

Autor: Jornal Frontal

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