Terça-Feira, 31 de Março de 2026 às 10:39

Federação dos Médicos rejeita modelo de avaliação proposto pelo Ministério da Saúde

Federação dos Médicos rejeita modelo de avaliação proposto pelo Ministério da Saúde

Saúde

Federação dos Médicos rejeita modelo de avaliação proposto pelo Ministério da Saúde

Federação Nacional dos Médicos considera que modelo de avaliação baseado na ponderação curricular desvaloriza a experiência e o percurso profissional

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) reuniu, no dia 27 de março, com o Ministério da Saúde, liderado por Ana Paula Martins, no âmbito do processo negocial relativo aos acordos coletivos de trabalho e à adaptação do SIADAP à carreira médica.

Durante a reunião, a FNAM reiterou “de forma inequívoca” a sua posição: o modelo de avaliação proposto pelo Ministério da Saúde (MS) “é injusto, penalizador e contribui para o bloqueio da progressão dos médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS).”

 A FNAM defende a progressão automática nas posições remuneratórias de três em três anos, com reposição do regime previsto no Decreto-Lei n.º 73/90 e sem aplicação de quotas na avaliação horizontal, sublinhando que os médicos já estão sujeitos a avaliação na progressão vertical entre categorias.

Por sua vez, o MS e a Secretaria de Estado da Administração Pública recusaram introduzir mecanismos de transparência e equidade no processo avaliativo, impondo o superior hierárquico direto como avaliador por defeito e reduzindo a avaliação colegial a uma opção meramente facultativa — uma solução que a FNAM considera “arbitrária, geradora de desigualdades profundas e promotora de práticas de favorecimento e submissão hierárquica.”

A FNAM considera que o modelo de avaliação baseado na ponderação curricular desvaloriza a experiência e o percurso profissional dos médicos, ignorando a diversidade de funções, contextos assistenciais e níveis de responsabilidade existentes no SNS. Para a FNAM, este modelo agrava ainda mais a situação dos médicos, ao manter quotas após anos de congelamento da progressão e de deterioração das condições de trabalho, penalizando os profissionais e comprometendo a valorização da carreira médica.

No âmbito da negociação dos acordos coletivos de trabalho, a FNAM apresentou uma contraproposta à proposta entregue pelo governo que inclui: a reposição das 35 horas semanais, a recuperação de dias de férias perdidos, a harmonização entre formação académica e atividade médica, a melhoria das condições de parentalidade, a eliminação de mecanismos que configuram retrocessos laborais, como o banco de horas, o trabalho suplementar ilimitado e o trabalho por turnos, a garantia da manutenção do descanso semanal obrigatório ao domingo e complementar ao sábado. E defende ainda “a reintegração do internato médico na carreira e a criação do grau de consultor principal, como forma de assegurar o acesso à categoria de assistente graduado sénior. E exige que o processo negocial produza soluções justas, transparentes e que valorizem efetivamente a carreira médica no SNS.”

Autor: Jornal Frontal

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