Sexta-feira, 01 de Maio de 2026 às 12:11

Mulher acusada de chantagem sexual online fica em silêncio no julgamento em Aveiro

Mulher acusada de chantagem sexual online fica em silêncio no julgamento em Aveiro

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Mulher acusada de chantagem sexual online fica em silêncio no julgamento em Aveiro

A mulher de 40 anos está acusada de crimes relacionados com chantagens usando imagens íntimas (‘sextortion’) nas redes sociais.

Uma mulher de 40 anos acusada de crimes relacionados com chantagens usando imagens íntimas (‘sextortion’) nas redes sociais remeteu-se hoje ao silêncio no início do julgamento no Tribunal de Aveiro.

A arguida, que trabalha como auxiliar de ação direta num centro social em Aveiro, está acusada de três crimes de extorsão e um crime de branqueamento.

Durante o julgamento, o coletivo de juízes ouviu algumas das supostas vítimas que terão sido contactadas pela arguida através da rede social “Facebook” e com quem trocaram fotografias íntimas.

“Ela começou a enviar fotos despida do peito para baixo. Eu não liguei àquilo, mas ela tanto insistiu que mandei também fotografias, mas nunca mostrei a cara”, disse um dos ofendidos.

A testemunha contou que após a troca de fotografias foi contactado por uma pessoa, através do “whatsapp”, que se identificou como polícia a ameaçar que iam contar à sua mulher que ele andava a trocar fotografias com uma menor, e pediam 1.500 euros para depositar numa conta.

“Fiz a transferência, mas eles pediram mais 1.000 euros e eu, armado em totó, fui meter mais mil. Mas aí acabou-se”, declarou.

A acusação do Ministério Público (MP) refere que a arguida contactava pessoas através da rede social “Facebook”, usando perfis falsos com fotografias de raparigas que podiam ser consideradas menores de idade.

A suspeita manteria depois com as supostas vítimas conversações de conteúdo sexual, aliciando-as a enviarem-lhe fotografias de conteúdo íntimo que eram depois usadas para as chantagear.

Posteriormente, as vítimas eram contactadas por indivíduos cuja identidade não foi apurada, que as constrangiam a entregar quantias monetárias, sob pena de, não o fazendo, denunciarem o caso às autoridades policiais por manterem conversas e trocarem fotografias de conteúdo sexual com menores de idade.

De acordo com a investigação, entre agosto de 2022 e março de 2023 foram creditados na conta da arguida 461.523,45 euros, em montantes que variam entre os 1.500 euros e 20 mil euros, que a arguida transferiu para outras contas ou usou em proveito próprio.

O MP requereu que a arguida seja condenada a pagar ao Estado 463.292,52 euros, correspondendo ao valor da vantagem alegadamente obtida ilicitamente pela arguida.

A arguida está proibida de se ausentar do distrito de Aveiro.

Se estiver numa situação de assédio ou abuso sexual, lembre-se de que não está só e que existem respostas especializadas de apoio gratuito e confidencial. Pode contactar a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) através da linha gratuita 116 006 ou do e-mail care@apav.pt. No caso de rapazes e homens vítimas de violência sexual, a associação Quebrar o Silêncio presta apoio especializado através do telefone 910 846 589 e do e-mail apoio@quebrarosilencio.pt. Tem ainda à disposição a Linha de Informação às Vítimas da CIG, a funcionar 24 horas por dia, através do número gratuito 800 202 148 ou da linha SMS 3060.

Crime

Autor: Jornal Frontal

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