Sexta-feira, 29 de Agosto de 2025 às 17:03

Metro Mondego dá as primeiras voltas em Coimbra. Lousã e Miranda exigem abertura urgente do troço completo

Metro Mondego dá as primeiras voltas em Coimbra. Lousã e Miranda exigem abertura urgente do troço completo

Região

Metro Mondego dá as primeiras voltas em Coimbra. Lousã e Miranda exigem abertura urgente do troço completo

Começou hoje a funcionar em Coimbra a parte urbana do projeto da Metro Mondego, prometido há cerca de trinta anos para o antigo ramal da Lousã.

Os autocarros articulados do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM) começaram hoje a operação preliminar, em Coimbra, com residentes a darem as primeiras voltinhas para matar a curiosidade de um serviço prometido há décadas.

Fernanda e José Roxo, que moram em Santa Clara, no concelho de Coimbra, já tinham dado uma volta no domingo, durante as viagens experimentais do SMM, e hoje vieram para mostrar os autocarros articulados ao neto Gonçalo, no início da operação preliminar.

“Eu acho que vai trazer melhorias para a cidade”, diz Fernanda, que nota a comodidade do serviço.

Já José Roxo espera que o SMM possa operar o quanto antes até Serpins (Lousã) e até à estação ferroviária de Coimbra-B.

“Foram muitos anos à espera”, nota o casal, que já está a pensar nas viagens que vão evitar fazer de carro até Miranda do Corvo e Lousã, onde gostam de ir em passeio.

O autocarro elétrico articulado, que circula em via dedicada, arrancou hoje a sua operação preliminar entre a Portagem, na Baixa, e Vale das Flores, de forma gratuita, até ser possível assegurar a viagem até Serpins, que se espera que possa arrancar antes do fim do ano.

Numa das primeiras viagens do autocarro, que estava praticamente cheio, Nelson Almeida aproveitava já para se deslocar da Baixa, onde reside, para a zona do estádio.

Morando na Baixa, onde estacionar “é terrível”, acredita que o SMM trará “melhorias à mobilidade de Coimbra”, mostrando-se satisfeito com o serviço que viu até agora.

Para o engenheiro civil, a espera valeu a pena, dando nota de que as obras “até foram rápidas”, face à sua complexidade.

“É pena é não ser o metro de superfície como estava previsto”, lamenta.

Já Gabriel, de 15 anos, veio do Porto de propósito hoje de manhã, de comboio, para experimentar o novo sistema.

“Está a ser uma experiência muito boa”, vinca o jovem que desde pequeno tem um fascínio por transportes coletivos e que sonha, no futuro, trabalhar na área da mobilidade.

Depois da viagem e da experiência, conta ainda ir até à sede da Metro Mondego, entidade que gere o sistema, para ver se consegue levar um pin de recordação para o Porto.

“Está a ser uma maravilha”, conta João Santos, de 68 anos, que diz que é importante ver Coimbra a “mudar, a ser modernizada, para não ficar sempre na mesma coisa”.

Para o residente de Coimbra, a cidade fica agora “mais bonita” e o serviço irá ajudar, sobretudo, nas deslocações ao hospital, cuja linha só deverá estar concluída em 2026.

Carlos Leitão, que foi motorista dos Serviços Municipalizados dos Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) durante 35 anos, aproveitou que estava a fazer tempo na cidade para experimentar o novo sistema, onde encontrou um ex-colega a conduzir o autocarro.

“Gostei da experiência e é bom que continuem a investir e a assegurar a manutenção disto”, disse à agência Lusa o reformado de 65 anos, que conta vir a ser um futuro utilizador do SMM.

Para o antigo motorista, o serviço “vai ser importante para as pessoas de Coimbra, mas também de Miranda do Corvo e Lousã”, lamentando apenas o tempo que se demorou.

Maria do Carmo lembra-se de ir para o trabalho, num autocarro dos SMTUC, e ouvir toda a gente a dizer que “o Metro Mondego nunca ia dar em nada, nunca ia dar em nada”.

“Eu falava para comigo: tenham calma, que ele virá”, conta à Lusa a mulher que tem a filha a trabalhar na Metro Mondego e hoje deu “uma voltinha” para experimentar o novo serviço.

“Agora já não dá para dizer que não vem. Está à mostra”, acrescenta o marido, Jorge Freitas.

Lousã e Miranda discordam do arranque parcial 

As Câmaras da Lousã e de Miranda do Corvo manifestaram hoje discordância com o arranque da operação preliminar do autocarro elétrico articulado na cidade de Coimbra, de forma gratuita, no âmbito do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM).

Numa tomada de posição individual, mas idêntica, estes dois municípios do distrito de Coimbra abrangidos por aquele sistema de transporte referiram que “a prioridade do Governo (acionista maioritário da Metro Mondego) deveria ser a concretização do projeto – no seu todo e com a máxima urgência – de acordo com o calendário assumido”.

De acordo com o calendário anteriormente estabelecido, a ligação entre Serpins (Lousã) e a Portagem (Coimbra), correspondente ao antigo ramal da Lousã, deveria entrar em funcionamento até ao final do ano e o restante ramal urbano na cidade de Coimbra no final de 2026.

O autocarro elétrico articulado, que circula em via dedicada, arrancou hoje a sua operação preliminar entre a Portagem, na Baixa, e Vale das Flores, de forma gratuita, até ser possível assegurar a viagem até Serpins, que se espera que possa arrancar antes do fim do ano.

“Quando tivemos conhecimento da possibilidade de iniciar o serviço em parte do troço Urbano da Cidade de Coimbra manifestámos discordância”, salientaram os municípios de Lousã e Miranda do Corvo, defendendo que o “serviço público de transporte tem de entrar em funcionamento, com a máxima brevidade e cumprindo o plano definido”.

 O Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM) começou a funcionar a partir desta sexta-feira, numa primeira fase limitada a um percurso de cinco quilómetros na cidade de Coimbra, de forma gratuita.

João Gaspar (texto) e Paulo Novais (fotos), da agência Lusa

 

Coimbra

Autor: Lusa

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