Domingo, 31 de Março de 2019

Fundação Mata do Bussaco estima investimento de 45.000 euros em sistema de videovigilância

Fundação Mata do Bussaco estima investimento de 45.000 euros em sistema de videovigilância

Região

Fundação Mata do Bussaco estima investimento de 45.000 euros em sistema de videovigilância

O Dia Internacional das Florestas ficou marcado pela assinatura de um protocolo entre o Município da Mealhada, o Governo, o […]

O Dia Internacional das Florestas ficou marcado pela assinatura de um protocolo entre o Município da Mealhada, o Governo, o Instituto da Conservação Nacional das Florestas (ICNF) e a Fundação Mata do Bussaco (FMB). Este protocolo redunda na resolução de um conjunto de “preocupações” anunciadas por António Gravato, presidente da FMB, e que têm que ver com a recuperação da floresta dos fenómenos naturais Gong e Leslie, assim como a recuperação do património edificado da mata, a proteção da biodiversidade da floresta nacional e a segurança e proteção contra incêndios, consubstanciada na instalação de um sistema de videovigilância.

Orçamentada em 45.000 euros, a instalação de um sistema de videovigilância é uma das ações previstas no protocolo assinado entre as entidades empenhadas na preservação da Mata Nacional do Bussaco. António Gravato considera este investimento fundamental “no controlo e na monitorização do espaço” e afirma que será de extrema importância “não só para acautelar situações recorrentes de furto e outras similares, mas também para detetar as ocorrências de incêndios que possam surgir”.

Sistema de videovigilância do Bussaco “é um projeto inovador”

Miguel Freitas, Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, esteve presente nesta cerimónia em representação do Governo, e explicou à comunicação social que a colocação do sistema de videovigilância na Mata do Bussaco “é um projeto inovador”. “Iremos testar, inicialmente, este sistema, que é muito importante que esteja ligado à Autoridade Nacional de Proteção Civil, porque também será um sistema de deteção de incêndios florestais”. O representante do Governo esclarece que a eficácia deste sistema estará dependente da rapidez “com que a informação chega a quem desenvolve o combate contra os incêndios e, portanto, este trabalho está a ser feito também com essa preocupação”.

Questionado sobre a proveniência das verbas que sustentarão o investimento, Miguel Freitas avança que “será um investimento para os três municípios (Mealhada, Mortágua e Penacova)”, proveniente do Fundo Florestal Permanente. Deste fundo, o membro do Governo avança que o investimento na Mata do Bussaco ascende, até ao momento, a um milhão de euros, que incluem “cerca de 700 mil euros para aquilo que foi a componente de defesa do património natural, mais cerca de 300 mil euros para o pagamento dos sapadores florestais”.

A este propósito, Miguel Freitas afirma “temos vindo a consolidar um projeto de recuperação, valorização e proteção da Mata do Bussaco” e lembra “é preciso perceber que a mata teve um fenómeno há bem pouco tempo, portanto, houve que, numa primeira instância, recuperar aquilo que foram as consequências desse ciclone e esse trabalho está a ser feito a bom ritmo”. Agora, Miguel Freitas afiança: “este protocolo vai permitir não apenas a recuperação mas também a valorização desta mata, que precisa de continuar a ser protegida contra os incêndios florestais”. Nessa medida, o secretário de estado lembra que estão no terreno, atualmente, quatro equipas de sapadores florestais, “temos aqui, hoje, uma brigada de sapadores florestais a trabalhar permanentemente na Mata do Bussaco com uma visão intermunicipal”, porque “é fundamental olhar para todo o espaço florestal circundante à mata para proteger e valorizar aquilo que é o espaço da mata”, considera.

Governo investiu cerca de 1 milhão de euros na Mata do Bussaco até ao momento

Ciente do perigo de a mata poder sofrer mais perdas devido a incêndios florestais, António Gravato apresentou também como “preocupações” da FMB a criação de medidas de proteção. Entre a beneficiação de caminhos numa extensão de 10 km, a criação de faixas de gestão de combustível ao longo das vias e de 5 a 10 metros em volta das edificações, está também pensada a plantação de um hectare de árvores pouco vulneráveis, a “retirada cirúrgica” de 80 árvores combustíveis de grandes dimensões (acácias secas) e a criação de parcelas de gestão de combustível, com a reconversão de eucaliptos e acácias em medronheiros, num total de 5,7 hectares.

Para além disso, o presidente da FMB também demonstra preocupação com a preservação de um dos ícones identitários da Mata do Bussaco – a biodiversidade. António Gravato refere que para manter a diversidade da fauna e da flora da floresta nacional “é necessário fazer um combate às invasoras, que são as acácias, uma espécie que pelas suas características se apropria do espaço territorial onde está implantada”. Por isso, está prevista neste protocolo a gestão do acacial, tentando apenas controlar a respetiva existência sem as erradicar, ao mesmo tempo que se acautela a eliminação, dada a vulnerabilidade que têm à combustão, nos muros de defesa florestal contra incêndios.

Em vista estão também ações de plantação nas clareiras criadas pelos fenómenos Gong e Leslie, que têm uma extensão de 7 hectares. Destas ações farão parte iniciativas de voluntariado, dinamizadas pela FMB, em cooperação com ICNF, nas quais pretendem apostar fortemente, uma vez que “as ações de voluntariado permitem que haja um contacto direto das pessoas com a natureza”.

Autarquia mealhadense investe na recuperação do património edificado da Mata do Bussaco

Na totalidade, a FMB estima ser necessário um investimento de 227,500 euros para levar a cabo as ações de proteção contra incêndios, de proteção da biodiversidade e de voluntariado. Acresce a este investimento a preocupação em recuperar o património edificado da Mata do Bussaco, ação para a qual a fundação estima gastar, nomeadamente para a recuperação e adaptação do Chalet de Sta. Tereza, 348, 500 euros.

Segundo Miguel Freitas, “neste protocolo nós entendemos que também era necessário dar um passo no sentido de recuperação do património edificado” e explica “há o compromisso de em três anos fazer a recuperação de uma parte importante daquilo que é o património construído no Bussaco, a começar pelo Convento e o Chalet de Sta. Tereza”. Um investimento que o secretário de estado refere ser da responsabilidade da Câmara Municipal da Mealhada, “o Estado assumiu aquilo que é a componente de preservação da parte natural da mata e a Câmara Municipal assumiu a componente da recuperação do património construído”.

Feitas as contas, Miguel Freitas estima que nestes dois anos, a contar com os investimentos feitos em 2018, o Governo poderá injetar na Mata Nacional do Bussaco aproximadamente 1,5 milhões de euros.

 

Fotografia: Sapadores florestais da Mata Nacional do Bussaco e responsáveis pelas entidades que estabeleceram o protocolo de beneficiação da floresta

Mata

Autor: Jornal Frontal

Find A Doctor

Give us a call or fill in the form below and we will contact you. We endeavor to answer all inquiries within 24 hours on business days.