Sexta-feira, 29 de Maio de 2026 às 16:56

Arganil recebe unidade de produto inovador para tratamento de águas residuais

Arganil recebe unidade de produto inovador para tratamento de águas residuais

Região

Arganil recebe unidade de produto inovador para tratamento de águas residuais

O projeto foi apresentado hoje publicamente na Cerâmica Arganilense

O concelho de Arganil, no interior do distrito de Coimbra, vai receber um investimento de 3,6 milhões de euros para produzir um produto inovador natural para tratamento de águas residuais industriais e domésticas.

O projeto, apresentado hoje publicamente na Cerâmica Arganilense, naquele concelho, consiste na produção de um polímero de origem biológica renovável extraído de acácias-negras, que vai substituir os tratamentos convencionais à base de produtos químicos tóxicos.

“Este produto, com baixo nível de carbono, permite de forma natural tratar as águas das Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), porque é um coagulante e floculante natural”, explicou Mendes Ferreira, responsável da empresa Nature, que dentro de um ano e meio prevê estar a laborar na Área de Acolhimento Empresarial da Relvinha.

Salientando que se trata de um projeto deste género “único em Portugal”, Mendes Ferreira adiantou aos jornalistas que o produto permite ainda que as águas a jusante das ETAR sejam facilmente tratáveis, “sem ter a carga metálica, tóxica, que os metais acarretam ao ecossistema”.

“Trata-se de um polímero de origem biológica renovável que pretende ser uma oportunidade e alternativa ao tratamento tradicional adotado por todos os operadores da área dos tratamentos de águas residuais industriais ou domésticas”, referiu.

O responsável da Nature frisou ainda que o tratamento das águas residuais à base do novo produto de origem vegetal vai evitar “o fim de vida” das lamas, que passam a ter outros aproveitamentos.

“Aqui, entra o conceito da circularidade que é dar segundas e terceiras vidas àquilo que é um problema e que tem pouca capacidade de ser resolvido à luz da atual legislação nos aterros, nas incinerações ou noutras deposições que normalmente se procuram”.

O projeto contempla a instalação de uma unidade industrial dedicada à transformação do extrato de acácia-negra num produto inovador de elevada eficácia e reduzido impacto ambiental, representando um contributo significativo para a promoção da sustentabilidade, da economia verde e da inovação tecnológica.

Segundo Mendes Ferreira, este projeto assume-se como uma novidade à escala da Península Ibérica no domínio da utilização de produtos orgânicos de base vegetal aplicados ao tratamento ambiental, que, atualmente, no espaço europeu mais próximo, só ocorre em França.

O objetivo, quando a unidade entrar em laboração em Arganil, passa também por exportar o produto para Espanha.

Para o presidente da Câmara, Luís Paulo Costa, o projeto de investimento representa “um passo firme para um futuro mais verde do país e mais competitivo para Arganil”.

“É uma data marcante na afirmação do território e um passo decisivo na estratégia de crescimento do concelho, além de marcarmos, do ponto de vista ambiental, a alteração daquilo que são as soluções de tratamento de águas residuais”, sublinhou.

O autarca considerou o investimento diferenciador e significativo, e salientou o impacto positivo na criação de riqueza e atração de pessoas e emprego qualificado.

“Este é um investimento que cumpre todos os requisitos que definimos para a atração de empresas para o nosso território e, ao mesmo tempo, é também um investimento com impacto ambiental positivo e alinhado com a transição tecnológica”, sustentou Luís Paulo Costa.

A unidade na Nature deverá empregar entre 80 e 90 pessoas, segundo o administrador Mendes Ferreira.

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Autor: Jornal Frontal

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