Domingo, 12 de Abril de 2026 às 18:48

Anadia contra extração de inertes na zona de Barro do Moleiro

Anadia contra extração de inertes na zona de Barro do Moleiro

Região

Anadia contra extração de inertes na zona de Barro do Moleiro

Autarquia considera que mineração pode afetar a agricultura, em particular a vinha e a produção do espumante da Bairrada

O Município de Anadia emitiu parecer desfavorável ao pedido de atribuição de uma área para prospeção e pesquisa de depósitos minerais, como caulinos, areias siliciosas e outras argilas especiais, na zona de “Barro do Moleiro”.

A decisão foi aprovada na reunião da Câmara Municipal na segunda-feira, anunciou hoje a autarquia em comunicado enviado à agência Comunicação Social.

O pedido, apresentado pela empresa Simões Sá Pereira, S.A., abrange as freguesias de Avelãs de Cima, Moita e a União de Freguesias de Arcos e Mogofores.

No mesmo comunicado, o Município de Anadia reconheceu que a exploração de recursos geológicos e depósitos de materiais é “fundamental para algumas atividades económicas e tecnológica”, mas considerou que “acarreta uma série de aspetos negativos” que afetam o ambiente, a sociedade e a economia local, “tão evidenciada já no território municipal”, nas localidades de Cerca, S. Pedro e Candeeira, na freguesia de Avelãs de Cima.

“Estes impactos manifestam-se desde a fase de extração até ao abandono das minas, sendo a mineração, por isso, considerada uma das atividades mais agressivas para os ecossistemas naturais”, segundo o documento aprovado.

Para o executivo camarário de Anadia, os impactes ambientais, sociais e na saúde das pessoas e animais, assim como os riscos de segurança e passivos ambientais “podem ser irreversíveis, sem possibilidade de corrigir a capacidade de carga da extração, com consequências na qualidade de vida das pessoas e dos bens por elas possuídos”.

A Câmara de Anadia apontou ainda “a destruição de uma fonte de matéria-prima para um dos setores mais importantes da economia local, nomeadamente no complexo agroflorestal, uma das maiores fontes de rendimento das populações locais”, considerando que a atividade que está em causa no pedido “não é responsável pela criação de postos de trabalho diretos e de longa duração, no município e na região”.

Disse ainda que, sendo o território deste município do distrito de Aveiro “forte na produção agrícola familiar e empresarial e o berço do vinho espumante” e as freguesias afetadas produtoras destes produtos, “este setor será seriamente e gravemente afetado”.

“Estarão em risco as funções sociais, ambientais, agroalimentares, produtivas e paisagísticas destas comunidades, pessoas e famílias”, concluiu.

Autor: Jornal Frontal

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