Anadia acolheu projeto que junta ciência, diversão e sustentabilidade
Um aquário móvel, dezenas de espécies e uma missão educativa. Trata-se do projeto “Fluviário Vai à Escola” que nasceu em plena pandemia de Covid-19
Durante a Feira do Ambiente promovida pelo município de Anadia, e que decorreu de 14 a 16 de maio no Parque Urbano da Cidade, tivemos oportunidade de visitar demoradamente o enorme aquário ali patente ao público.
Um aquário móvel, dezenas de espécies e uma missão educativa. Trata-se do projeto “Fluviário Vai à Escola” que nasceu em plena pandemia de Covid-19 e, desde então, tem percorrido escolas e municípios de todo o país, aproximando milhares de crianças do universo aquático e da educação ambiental.
A iniciativa surgiu durante o período de confinamento, altura em que muitas atividades escolares presenciais ficaram suspensas. Segundo Alexandre, responsável pelo projeto e com quem conversamos, a pausa forçada permitiu reunir recursos e desenvolver uma ideia que já existia há algum tempo: criar uma atividade itinerante capaz de levar o contacto com a natureza diretamente às escolas.
“O Covid deu-nos tempo para parar e estruturar este projeto. Queríamos criar algo interativo, próximo dos alunos e que permitisse trabalhar a educação ambiental de uma forma diferente”, explicou.
Hoje, o “Fluviário Vai à Escola” apresenta-se como um dos projetos educativos itinerantes mais originais do país, contando com aquele que os responsáveis classificam como “o maior aquário certificado e móvel da Europa”. O equipamento percorre escolas, eventos municipais e iniciativas educativas, levando consigo apresentações adaptadas a diferentes faixas etárias — desde o pré-escolar até ao ensino secundário.
Mais do que uma simples exposição, a atividade aposta na interação constante com os alunos. Durante cerca de 40 minutos, crianças e jovens participam em dinâmicas educativas, observam espécies aquáticas, tocam em réplicas de escamas e peles de peixes e aprendem sobre ecossistemas, biodiversidade e preservação ambiental.
O ambiente vivido durante as sessões acaba por envolver não apenas os mais novos, mas também os adultos. Pais, professores e visitantes deixam-se facilmente contagiar pela curiosidade e entusiasmo gerados em torno do aquário móvel.
“Não é apenas uma palestra. Há interação, magia, perguntas e momentos de descoberta. O objetivo é que os alunos aprendam enquanto se divertem”, sublinha a equipa.
Ao longo dos últimos anos, o projeto já passou por inúmeras escolas do litoral e do interior do país, chegando muitas vezes a crianças que nunca tiveram contacto direto com aquários ou centros de ciência. Os responsáveis recordam mesmo situações marcantes em escolas relativamente próximas do litoral, onde alguns alunos nunca tinham visto o mar. “Há crianças que conhecem perfeitamente as aves e a natureza do interior, mas nunca tiveram contacto com este tipo de realidade ligada ao mundo aquático”, referem.
A logística do aquário móvel exige um elevado cuidado técnico. O sistema foi preparado para garantir a qualidade da água, controlo de temperatura a 17 graus centígrados e o bem-estar das espécies transportadas. A seleção dos peixes também é feita de forma rigorosa, evitando conflitos entre espécies e garantindo um ambiente equilibrado dentro do aquário.
Além de Portugal, o projeto já participou em iniciativas em países como Espanha, França, Alemanha e Itália, embora com formatos diferentes devido às limitações linguísticas e operacionais. Ainda assim, o grande objetivo passa por expandir, no futuro, o modelo português para outros países europeus.
“Queremos continuar a crescer e levar esta experiência a mais escolas e mais crianças. A educação ambiental faz-se também através do contacto direto e da
emoção”, afirmam os responsáveis.
Num tempo em que as escolas enfrentam cada vez mais limitações de recursos e atividades diferenciadoras, iniciativas como o “Fluviário Vai à Escola” acabam por funcionar como uma ferramenta educativa “chave na mão”, capaz de juntar aprendizagem, entretenimento e consciência ambiental num único espaço.
Um projeto lúdico e cultural que nos chamou a atenção pela dinâmica criada à sua volta, não só por crianças mas também por adultos, que confirmou ter sido acertada esta aposta que o município de Anadia fez ao fazer chegar da Batalha este aquário gigante.
Fotografias Fernando Simões
Autor: Fernando Simões



