Um menino que sabe a origem da alegria!
Por estes dias, no meio de muitos afazeres, tive um encontro breve cheio de encanto. Um pequenito dirigiu-se a mim, […]
Por estes dias, no meio de muitos afazeres, tive um encontro breve cheio de encanto.
Um pequenito dirigiu-se a mim, em plena rua. Com um sorriso que não lhe cabia na cara e com um olhar que manifestava as certezas da inocência que ainda vive, começou a conversar. Ele já me conhecia bem, por lhe ter dado alguma atenção no final de uma missa… só não me apercebi que tínhamos ficado tão amigos!
A conversa andou à volta da escola e de muitas outras coisas próprias do seu viver. A certa altura perguntou-me:
– É difícil ser padre…!?
Apanhado de surpresa, procurei arranjar tempo para pensar em algo mais adequado para lhe responder, e devolvi-lhe a pergunta:
– Já agora, e o que pensas tu: achas que é difícil ser padre!?
Não pensou muito e de repente me respondeu:
– Eu acho que não… os padres que eu conheço andam sempre contentes e alguns até fazem rir as pessoas!
Senti-me muito bem ao ouvir as palavras daquele pequenito. E lá me foi dizendo o nome dos padres que conhecia…, sempre com ar de entendido na matéria. Entretanto, interrompi-o para lhe perguntar de novo:
– Olha, e tu sabes qual é a razão para andarmos sempre contentes?
Ele fitou os olhos em mim e com o sorriso de quem sabe que vai acertar na resposta, afirmou:
– Porque Jesus está sempre no coração dos padres…!
Não tive coragem de lhe perguntar mais nada…, somente o presenteei com um sorriso carinhoso e um abraço apertado. Depois, regalei-me de o ver contente e orgulhoso pela conversa que estávamos a ter, rodeados de uma assistência silenciosa e curiosa, onde também estava a mãe e a avó, cheias de «vaidade» por verem o seu menino a falar com o padre.
Entretanto, tenho-me recordado várias vezes daquele pequenito que não terá mais de 10 anos de idade. Penso no seu futuro, nos sonhos que terá e no mundo em que um dia viverá esses mesmos sonhos! Não sei se o ouviu em algum lado, ou o deduziu a partir si, mas «surpreendeu-me» a sua capacidade de captar o essencial da alegria do «ser padre» e, no fundo, do «ser cristão».
Com efeito, a alegria de um cristão jamais se poderá medir pelas «réguas da moda», ou pelos níveis de conhecimento e convivência – gastronómica – com os padres amigos; ou até, pelo sucesso e eficácia das coisas feitas, no passado, que nada transformaram a vida para o presente!
A alegria do cristão nasce do «dom» de Deus, acolhido no «coração», sem «sentimentalismos melosos» nem «vivências adocicadas», para se tornar «Amor», na relação e na ação, de todos os dias, segundo o Evangelho, sendo Igreja.
Aquilo que o pequenito disse pode parecer infantil e simplório, mas não deixa de ser decisivo. Que nesta Quaresma todos possamos refletir sobre a razão pela qual nos falta tanta alegria de coração no nosso viver de cada dia!
Autor: Jornal Frontal
