Sábado, 27 de Setembro de 2025

O medo e a confiança ao morrer…

O medo e a confiança ao morrer…

Opinião

O medo e a confiança ao morrer…

Nas conversas e encontros que tenho, nesta missão de ser padre, muitas vezes, confronto-me com pessoas que vivem uma solidão muito profunda

Nas conversas e encontros que tenho, nesta missão de ser padre, muitas vezes, confronto-me com pessoas que vivem uma solidão muito profunda. É aquela solidão que aparece antes da morte. Vou notando, que para muitos, é como um abismo silencioso, pois o mundo parece afastar-se, as vozes conhecidas ficam cada vez mais longe e o corpo, antes cheio de energia e movimento, começa a ceder ao peso do tempo, da doença, do fim humano. E é verdade, ninguém pode morrer no lugar de outro.Pertence-me transmitir a muitos destes, tanto quanto é possível e sei, a visão da fé cristã. Afirmar a alguém, nessas condições, que esse momento não é apenas vazio ou falta de companhia, mas é também um espaço sagrado, onde algo maior se revela, torna-se um desafio gigantesco que me faz sentir pequenino. Não é uma questão de lógica, ou de quaisquer teorias; mas de algo mais profundo!Na verdade, o ser humano nasce acompanhado – pela voz da mãe, pelos braços que o acolhem, pela ternura que o envolve –, mas morre aparentemente e dramaticamente sozinho. Esse «aparentemente» é importante! Como cristãos vamos acreditando que, quando todas as presenças humanas se afastam, a sofrer, vai surgindo mais claramente uma Presença maior: Jesus Cristo. Aliás, Ele também passou pela mesma solidão, no Getsémani e na cruz, segundo os evangelhos, e por isso é o «companheiro invisível» neste momento final.A solidão antes da morte não é, portanto, um vazio absoluto....

Nas conversas e encontros que tenho, nesta missão de ser padre, muitas vezes, confronto-me com pessoas que vivem uma solidão muito profunda. É aquela solidão que aparece antes da morte. Vou notando, que para muitos, é como um abismo silencioso, pois o mundo parece afastar-se, as vozes conhecidas ficam cada vez mais longe e o corpo, antes cheio de energia e movimento, começa a ceder ao peso do tempo, da doença, do fim humano. E é verdade, ninguém pode morrer no lugar de outro.Pertence-me transmitir a muitos destes, tanto quanto é possível e sei, a visão da fé cristã. Afirmar a alguém, nessas condições, que esse momento não é apenas vazio ou falta de companhia, mas é também um espaço sagrado, onde algo maior se revela, torna-se um desafio gigantesco que me faz sentir pequenino....

Padre Rodolfo Leite

Autor: Padre Rodolfo Leite

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