L´Amour
Perguntará eventualmente o leitor sobre o porquê do título desta opinião, mas eu passo desde logo a explicar: é doce. […]
Perguntará eventualmente o leitor sobre o porquê do título desta opinião, mas eu passo desde logo a explicar: é doce. Doce como o Amor deverá ser, e em momentos como este, de escritas mais descontraídas, perdoem-me o galicismo mas era assim mesmo que eu gostaria de o denominar, sabendo também a forte ligação intemporal que França e os franceses sempre tiveram com este fantástico sentimento, e que vai muito além da doçura da dicção de uma simples palavra. Mas afinal o que é o Amor? Uma rápida investigação em qualquer dicionário remete-nos de imediato para a associação deste sentimento com afeição, atracção, satisfação, apetite, paixão, desejo, e sensações semelhantes, mas será o Amor concretamente definível? Não creio, e será também por aí que suscitará tantas e tão diferentes interpretações, dissertações e reflexões várias desde tempos imemoriais, com a Arte a ser um veículo especialmente sensível e demonstrativo da importância e do relevo que este afecto tem nas nossas vidas, e do papel deste no equilíbrio das mesmas. Canta-se, escreve-se e pinta-se o Amor há séculos, umas vezes a preto e branco e outras com as mais garridas cores, porque não haverá outro sentimento nesta vida que nos transporte para estados de espírito tão antagónicos, que vão da mais inebriante êxtase à mais perturbada e angustiada melancolia. O Amor é a melhor e a pior coisa do mundo ao mesmo tempo, por mais absurdo que possa parecer. O que será estar apaixonado? Como escreveu um dia o poeta Camões, é uma espécie de um “fogo que arde sem se ver”. Todos os dias, pessoas de quase todas as idades descobrem que estão apaixonadas. Faz parte da natureza do ser humano, gostar. Gostar muito, também. Amar! Segundo Sternberg, reputado estudioso da atracção e das relações amorosas, o Amor pode ser compreendido através de uma teoria triangular que defende a existência de três componentes indissociáveis, que se integram e correlacionam: a paixão, a intimidade e o compromisso. De uma forma muito simplificada, esta teoria compreende o Amor como o resultado do momento em que nos sentimos bem e próximos de alguém, desejamos ou erotizamos essa pessoa e estamos comprometidos e decididos a permanecer numa relação amorosa com ela. Quem ama verdadeiramente sabe o quão gratificante e realizador é amar e ser amado.
Amar e ser amado. Isto é o Amor… e o que seria de nós sem o Amor? Assuma ele seja que forma e contornos forem, não será o Amor a evitar que nos mecanizemos quase em absoluto? Eu gosto muito de Amor, e procuro estimulá-lo todos os dias que passam. O Amor é bom. O Amor é muito bom. Amar uma mulher, por exemplo, implica uma considerável dose de esforço e empenho. Todos os homens sabem disso. As mulheres no geral são complicadas. A minha pelo menos é. São todas! No entanto, todo o carinho, toda a ternura e toda a absolutamente irrepreensível dedicação com que ela se entrega a mim em absoluto impele-me de forma incondicional a devolver-lhe tudo aquilo que ela me dá a mim. O Amor também é isso, trocar sentidos e sensações. E ela fez-me acreditar de novo que isso poderia voltar a ser possível. Fez renascer em mim um sonho que eu cheguei a julgar, em amargurados momentos, estar ferido de morte. É importante ser grato. E eu sou grato pelo Amor que tenho. A minha mulher é linda, lindíssima, inigualavelmente maravilhosa, e eu gosto muito dela. Amo-a, amo-a muito. Não me posso cansar de o dizer, nem de o escrever. Não posso nem devo. Não posso, não devo, nem quero. É este o Amor que, como rosas lindas regadas com a mais pura das águas, fortalece os laços mais graciosos, sadios e afectuosos que alguma vez poderão unir um casal. Ela merece-o. Eu mereço-o. Ambos merecemos. A Família é realmente o aspecto mais importante que define a qualidade e a quantidade de tudo o que fazemos e ainda temos para fazer neste mundo. Basta acreditar. O Amor é Vida. O Amor é Família. Ah… L´Amour. É doce. Doce como o Amor deve ser. Verdadeiro. Já te disse hoje que te amo, Magda Tomaz? Muuito!
Autor: Jornal Frontal
