Até às 10h00 sou “menino”!
No comboio de regresso a casa — enquanto atravesso a ponte, com o rio lá em baixo e a cidade […]
No comboio de regresso a casa — enquanto atravesso a ponte, com o rio lá em baixo e a cidade a afastar-se devagar — penso que há cidades que nos rejuvenescem. Não por magia, mas pela forma como nos acolhem e nos falam. Como nos permitem sentir vivos — quase ainda crianças, no meio de ruas de pedra e vida. Para mim, o Porto é assim. Uma cidade onde, até às dez da manhã, ainda me chamam “menino”.Não é nostalgia. É viver o presente com o olhar aberto e a vontade de ser — sempre — um pouco mais criança.Reafirmo: há lugares que nos rejuvenescem. Não pelas águas milagrosas, nem por tratamentos de spa — mas pelo modo como nos falam. O Porto tem isso. Sempre que lá vou, basta ouvir:— “E o “menino”, o que vai querer?” — para me rir por dentro. Não devia, mas rio — de satisfação.Há ternura nessa pergunta, dita assim com sotaque do Norte, que me traz de volta uma leveza antiga. Um puxão invisível para os tempos em que ainda era mesmo menino — ou pelo menos me sentia como tal.Digo isto com carinho. E com um certo ar trocista. Já fui mais menino do que sou hoje.E, com este meu ar meio “estrângeiro” (é o que sempre me dizem), começo a ser mais “mister” do que “menino”. E isso dói um bocadinho. Porque “mister” não diz nada de mim. É só uma...
No comboio de regresso a casa — enquanto atravesso a ponte, com o rio lá em baixo e a cidade a afastar-se devagar — penso que há cidades que nos rejuvenescem. Não por magia, mas pela forma como nos acolhem e nos falam. Como nos permitem sentir vivos — quase ainda crianças, no meio de ruas de pedra e vida. Para mim, o Porto é assim. Uma cidade onde, até às dez da manhã, ainda me chamam “menino”.Não é nostalgia. É viver o presente com o olhar aberto e a vontade de ser — sempre — um pouco mais criança.Reafirmo: há lugares que nos rejuvenescem. Não pelas águas milagrosas, nem por tratamentos de spa — mas pelo modo como nos falam. O Porto tem isso. Sempre que lá vou, basta ouvir:— “E o “menino”, o...
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Autor: Fernando Simões
