Sexta-feira, 12 de Setembro de 2025

A Bola de Berlim não é só um doce

A Bola de Berlim não é só um doce

Opinião

A Bola de Berlim não é só um doce

Dizem que a bola de Berlim é um doce. Eu digo que é um acontecimento.

Dizem que a bola de Berlim é um doce. Eu digo que é um acontecimento. Não é pelo creme, nem pela massa fofa, nem pelo açúcar que se cola aos dedos e à pele já salgada do mar. É pelo instante. Pela pausa. Pela criança interior que acorda ao ouvir o pregão:“Olha a bola de Berlim, com ou sem creme?”Na pastelaria da esquina, come-se uma bola de Berlim. Na praia, vive-se uma. Parece exagero? Não é.Uma bola de Berlim comida sentado ou de pé, ainda com os pés molhados e a toalha húmida, é um ritual de verão que vive em todos nós. Um marcador de tempo que diz: chegámos à praia, estamos de férias, por agora a vida pode esperar.Curiosamente, nasceu longe do areal. A receita que inspirou a bola de Berlim tem raízes na Alemanha do século XIX, e embora o nome português remeta a Berlim, o doce é conhecido por diferentes nomes conforme a região: Berliner, Pfannkuchen ou Krapfen.É vendido essencialmente em confeitarias, padarias e pastelarias, sobretudo no Carnaval e na Passagem de Ano.Veio parar às mãos dos pasteleiros portugueses com sotaque estrangeiro, trazida por judeus alemães ou austríacos, refugiados de um tempo escuro — a Segunda Guerra Mundial — que se fixaram em Lisboa e em algumas cidades, vilas e aldeias costeiras.Aqui, ganhou outra alma e um novo nome e adaptou-se à cultura portuguesa: cresceu na sua dimensão, foi cortada ao meio, recheada com o típico...

Dizem que a bola de Berlim é um doce. Eu digo que é um acontecimento. Não é pelo creme, nem pela massa fofa, nem pelo açúcar que se cola aos dedos e à pele já salgada do mar. É pelo instante. Pela pausa. Pela criança interior que acorda ao ouvir o pregão:“Olha a bola de Berlim, com ou sem creme?”Na pastelaria da esquina, come-se uma bola de Berlim. Na praia, vive-se uma. Parece exagero? Não é.Uma bola de Berlim comida sentado ou de pé, ainda com os pés molhados e a toalha húmida, é um ritual de verão que vive em todos nós. Um marcador de tempo que diz: chegámos à praia, estamos de férias, por agora a vida pode esperar.Curiosamente, nasceu longe do areal. A receita que inspirou a bola de Berlim tem raízes...

Autor: Jornal Frontal

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