GEOTA preocupada com Linha da Beira Alta que apresenta deficiências profundas
A associação ambientalista GEOTA manifestou uma “profunda preocupação” com a intervenção, desde 2022, na Linha da Beira Alta
A associação ambientalista GEOTA manifestou, no passado dia 1 de agosto, “profunda preocupação” com a intervenção, desde 2022, na Linha da Beira Alta, que mantém “deficiências profundas e curvas por retificar” e exige uma auditoria ao programa da ferrovia.
“O projeto sofre de deficiências profundas: mantiveram-se inclinações elevadas que inviabilizam a rentabilidade dos comboios de 750 metros; o gabarito adotado não permite o transporte de semirreboques nos comboios, essencial para a operação logística moderna”, afirma.
A associação sublinha ainda que “não foram retificadas curvas, impossibilitando o aumento de velocidades (mantêm-se as mesmas de há 30 anos); nem se equacionou a hipótese de duplicação da linha. Em resumo, não houve um esforço real para cumprir padrões modernos, seja para passageiros ou mercadorias, pois a intervenção foi limitada à manutenção da infraestrutura”.
No documento enviado à agência Lusa, o Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA) revela “profunda preocupação” e pede para que se aprenda “com o fracasso da ‘modernização’ da Linha da Beira Alta”, que liga o nó ferroviário da Pampilhosa, no concelho da Mealhada (distrito de Aveiro), à Guarda e à fronteira de Vilar Formoso, e que encerrou em 2022 para requalificação e continua por reabrir.
No documento, a GEOTA indica que a “modernização da Linha da Beira Alta tem sido marcada por mau planeamento, atrasos constantes e incapacidade para responder às necessidades” já que é “fundamental para o desenvolvimento do interior e para a competitividade do transporte ferroviário internacional”.
“O ato falhado em que se transformou esta obra é paradigmático da orientação errada das políticas de mobilidade e de um setor ferroviário negligenciado”, nota a associação, considerando “um erro focar o programa Ferrovia 2020 essencialmente nas mercadorias”, uma vez que o transporte de passageiros “é igualmente importante” nas vertentes: social, ambiental e económica.
Neste sentido, refere que na Linha da Beira Alta “nem o objetivo restrito das mercadorias será cumprido (muito menos um serviço de qualidade para passageiros), pois a intervenção foi limitada à manutenção da infraestrutura”.
Na nota, a associação ambientalista sustenta ainda que, genericamente, o programa Ferrovia 2020 “é um fracasso no que toca a objetivos concretos de serviço às populações, coesão territorial, economia e ambiente” e os planos nacionais, ferroviário e de investimentos, “infelizmente, vão pelo mesmo caminho”.
O programa prioriza projetos “megalómanos sem racionalidade económica (como a alta velocidade Lisboa-Porto), desprezando as necessidades das populações e do tecido económico, e ignorando os padrões internacionais de qualidade de serviço”, enfatiza.
“É necessária uma auditoria rigorosa ao Ferrovia 2020, com consequências práticas na revisão dos novos planos. Temos de mudar de paradigma: o padrão de serviço é que tem de determinar a infraestrutura e os meios operacionais, e não o contrário”, exigiu.
O GEOTA diz que é preciso um “verdadeiro planeamento ferroviário”, num quadro de mobilidade intermodal, para passageiros e mercadorias, envolvendo de modo colaborativo os operadores, os utentes e a sociedade civil.
Na nota de imprensa, o GEOTA descreve ainda as duas “grandes prioridades” para o transporte ferroviário de passageiros que passa por reforçar as redes urbanas e criar um serviço intercidades nacional integrado com metas a atingir ao longo dos anos.
O Grupo “defende ainda a aplicação da alta velocidade ferroviária nas ligações internacionais de longa distância, superior a 500 quilómetros”, ou seja, defende uma ferrovia para todos, capaz de reduzir a poluição e o congestionamento das estradas e cidades e servir a coesão territorial, permitindo uma mobilidade mais sustentável, eficiente e a baixo custo”.
Autor: Lusa
