Segunda-feira, 04 de Agosto de 2025 às 10:51

GEOTA preocupada com Linha da Beira Alta que apresenta deficiências profundas

GEOTA preocupada com Linha da Beira Alta que apresenta deficiências profundas

Nacional

GEOTA preocupada com Linha da Beira Alta que apresenta deficiências profundas

A associação ambientalista GEOTA manifestou uma “profunda preocupação” com a intervenção, desde 2022, na Linha da Beira Alta

A associação ambientalista GEOTA manifestou, no passado dia 1 de agosto, “profunda preocupação” com a intervenção, desde 2022, na Linha da Beira Alta, que mantém “deficiências profundas e curvas por retificar” e exige uma auditoria ao programa da ferrovia.

“O projeto sofre de deficiências profundas: mantiveram-se inclinações elevadas que inviabilizam a rentabilidade dos comboios de 750 metros; o gabarito adotado não permite o transporte de semirreboques nos comboios, essencial para a operação logística moderna”, afirma.

A associação sublinha ainda que “não foram retificadas curvas, impossibilitando o aumento de velocidades (mantêm-se as mesmas de há 30 anos); nem se equacionou a hipótese de duplicação da linha. Em resumo, não houve um esforço real para cumprir padrões modernos, seja para passageiros ou mercadorias, pois a intervenção foi limitada à manutenção da infraestrutura”.

No documento enviado à agência Lusa, o Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA) revela “profunda preocupação” e pede para que se aprenda “com o fracasso da ‘modernização’ da Linha da Beira Alta”, que liga o nó ferroviário da Pampilhosa, no concelho da Mealhada (distrito de Aveiro), à Guarda e à fronteira de Vilar Formoso, e que encerrou em 2022 para requalificação e continua por reabrir.

No documento, a GEOTA indica que a “modernização da Linha da Beira Alta tem sido marcada por mau planeamento, atrasos constantes e incapacidade para responder às necessidades” já que é “fundamental para o desenvolvimento do interior e para a competitividade do transporte ferroviário internacional”.

“O ato falhado em que se transformou esta obra é paradigmático da orientação errada das políticas de mobilidade e de um setor ferroviário negligenciado”, nota a associação, considerando “um erro focar o programa Ferrovia 2020 essencialmente nas mercadorias”, uma vez que o transporte de passageiros “é igualmente importante” nas vertentes: social, ambiental e económica.

Neste sentido, refere que na Linha da Beira Alta “nem o objetivo restrito das mercadorias será cumprido (muito menos um serviço de qualidade para passageiros), pois a intervenção foi limitada à manutenção da infraestrutura”.

Na nota, a associação ambientalista sustenta ainda que, genericamente, o programa Ferrovia 2020 “é um fracasso no que toca a objetivos concretos de serviço às populações, coesão territorial, economia e ambiente” e os planos nacionais, ferroviário e de investimentos, “infelizmente, vão pelo mesmo caminho”.

O programa prioriza projetos “megalómanos sem racionalidade económica (como a alta velocidade Lisboa-Porto), desprezando as necessidades das populações e do tecido económico, e ignorando os padrões internacionais de qualidade de serviço”, enfatiza.

“É necessária uma auditoria rigorosa ao Ferrovia 2020, com consequências práticas na revisão dos novos planos. Temos de mudar de paradigma: o padrão de serviço é que tem de determinar a infraestrutura e os meios operacionais, e não o contrário”, exigiu.

O GEOTA diz que é preciso um “verdadeiro planeamento ferroviário”, num quadro de mobilidade intermodal, para passageiros e mercadorias, envolvendo de modo colaborativo os operadores, os utentes e a sociedade civil.

Na nota de imprensa, o GEOTA descreve ainda as duas “grandes prioridades” para o transporte ferroviário de passageiros que passa por reforçar as redes urbanas e criar um serviço intercidades nacional integrado com metas a atingir ao longo dos anos.

O Grupo “defende ainda a aplicação da alta velocidade ferroviária nas ligações internacionais de longa distância, superior a 500 quilómetros”, ou seja, defende uma ferrovia para todos, capaz de reduzir a poluição e o congestionamento das estradas e cidades e servir a coesão territorial, permitindo uma mobilidade mais sustentável, eficiente e a baixo custo”.

Autor: Lusa

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