Câmara da Mealhada denuncia falhas na recolha de resíduos e ERSUC garante haver uma “monitorização contínua” da operação
A Autarquia da Mealhada afirma que deu conhecimento formal da situação à Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos
A Câmara Municipal da Mealhada “exigiu à ERSUC a reposição imediata da normalidade na recolha seletiva de resíduos no concelho, denunciando o agravamento do serviço prestado nas últimas semanas e alertando para os impactos que esta situação está a provocar no espaço público e na confiança dos cidadãos”, segundo o comunicado do município.
Num ofício dirigido ao Conselho de Administração da empresa, António Jorge Franco, presidente da Câmara da Mealhada, manifesta “profunda preocupação” com o estado da recolha seletiva, sublinhando que “a permanência prolongada de ecopontos cheios, sobretudo vidrões, está a originar a deposição de resíduos no exterior dos contentores, com consequências para a salubridade, para a imagem do concelho e para a credibilidade do sistema de reciclagem”.
O Município da Mealhada revela no comunicado que, perante a inação da concessionária, “tem sido obrigado a intervir com meios próprios para remover os resíduos acumulados junto dos ecopontos, assumindo uma responsabilidade que não lhe compete”.
“Não é aceitável que a Câmara tenha de substituir-se sistematicamente à entidade responsável pela recolha seletiva. Os munícipes pagam por um serviço que tem de ser prestado com qualidade, regularidade e eficácia”, refere o autarca da Mealhada.
No documento enviado à ERSUC, segundo o município, a Autarquia da Mealhada “recorda que tem vindo a investir de forma consistente na promoção da reciclagem, através da recolha porta-a-porta, da compostagem doméstica e comunitária e de campanhas de sensibilização ambiental, considerando que todo esse esforço fica comprometido quando a recolha dos materiais recicláveis falha”.
A Câmara afirma que sublinha “igualmente que este problema ultrapassa as fronteiras do concelho da Mealhada. A situação foi recentemente debatida no Conselho Intermunicipal da Comunidade Intermunicipal da Região Metropolitana de Coimbra, onde vários municípios reportaram dificuldades idênticas, tendo sido deliberado remeter uma exposição conjunta à ERSUC a exigir medidas urgentes para normalizar o serviço”.
Perante este cenário, o Município da Mealhada “exige” à empresa a reposição imediata da regularidade das recolhas, a identificação das causas dos incumprimentos, a apresentação de um plano de ação com calendário e medidas concretas, a criação de um sistema de registo e acompanhamento das ocorrências e a designação de um interlocutor técnico responsável pela articulação com a autarquia.
Embora reconheça que o período de verão representa um aumento da pressão sobre o serviço, a Câmara afirma que “considera que essa realidade é previsível e deve ser acautelada através de um adequado planeamento operacional, não podendo servir de justificação para a degradação da resposta prestada às populações”.
Paralelamente, a Câmara Municipal deu conhecimento formal da situação à Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), “considerando que a persistência destas falhas justifica o acompanhamento da entidade responsável pela regulação e fiscalização do setor, salvaguardando os direitos dos utilizadores e a qualidade do serviço público prestado”.
O Município em nota de imprensa “reafirma a disponibilidade para colaborar na procura de soluções, mas deixa claro que a ERSUC tem de cumprir integralmente as obrigações que lhe estão confiadas enquanto concessionária do serviço público de gestão de resíduos”.
ERSUC garante reforço de meios no combate à acumulação de resíduos
No âmbito da denuncia da Câmara Municipal da Mealhada em relação a falhas na recolha seletiva de resíduos prestado nas últimas semanas pela ERSUC, em nota de imprensa enviada hoje, ao Jornal da Mealhada, a empresa de Resíduos Sólidos do Centro garante estar a realizar uma “monitorização contínua” da operação ajustando sempre a resposta operacional às diferentes realidades dos municípios que serve.
A ERSUC afirma que “mantém uma articulação estreita com os municípios, acompanhando com proximidade as situações reportadas e promovendo, em conjunto, a adoção das medidas mais adequadas às especificidades de cada território. Esta colaboração tem sido essencial para identificar necessidades, planear respostas e melhorar continuamente o serviço prestado às populações.”
A empresa destaca que “o período de verão representa, tradicionalmente, um momento de maior pressão sobre os sistemas de gestão de resíduos urbanos, em particular nos territórios com maior afluência sazonal de residentes e visitantes. Este aumento da população representa um acréscimo da produção de resíduos e uma maior exigência sobre as infraestruturas e serviços de recolha”.
Acrescenta que foi implementado em julho um plano de reforço operacional para os concelhos do litoral, visando responder ao aumento substancial na produção de lixo e prevenir focos de acumulação. “A ERSUC implementou um plano de reforço operacional, com início em julho direcionado, em particular, para os concelhos da faixa litoral, com o objetivo de prevenir situações de acumulação de resíduos nos ecopontos, melhorar os níveis de limpeza e assegurar o encaminhamento para reciclagem de maiores quantidades de resíduos. Paralelamente, a empresa tem vindo a introduzir diversas medidas de otimização operacional, incluindo a implementação progressiva de rotas dinâmicas na recolha seletiva, a instalação de sensores de enchimento em novos equipamentos e tem prevista a aquisição de 1.000 ecopontos (3.000 contentores) correspondente a um incremento de 15%, em 2027”- aponta.
A ERSUC afirma que verificam-se ainda algumas situações que requerem intervenção e regularização. Referindo que continua, por isso, “a desenvolver todos os esforços para minimizar estes constrangimentos, através do reforço das equipas e da implementação de planos específicos de regularização da operação, para recuperar atrasos que se verifiquem em determinadas zonas, bem como, assegurar que no futuro próximo estes constrangimentos não se repetem”.
Destaca ainda que, “apesar do contexto operacional exigente, os dados dos primeiros sete meses de 2026 evidenciam, efetivamente, uma evolução positiva na recolha de recicláveis, com um aumento de 5% no papel e cartão e de 4% nas embalagens de plástico e metal. Estes resultados demonstram que, apesar dos desafios operacionais verificados em alguns momentos e territórios, foi possível assegurar o encaminhamento crescente de resíduos para reciclagem”.
Autor: Jornal Frontal
