Terça-Feira, 19 de Maio de 2026 às 11:42

Apicultor da Mealhada revela desafios e curiosidades da criação de abelhas

Apicultor da Mealhada revela desafios e curiosidades da criação de abelhas

Processo da criação de abelhas @Jornal da Mealhada

Processo da criação de abelhas @Jornal da Mealhada

Processo da criação de abelhas @Jornal da Mealhada

Processo da criação de abelhas @Jornal da Mealhada

Processo da criação de abelhas @Jornal da Mealhada

Processo da criação de abelhas @Jornal da Mealhada

Apicultor da Mealhada revela desafios e curiosidades da criação de abelhas
Processo da criação de abelhas @Jornal da Mealhada
Processo da criação de abelhas @Jornal da Mealhada
Processo da criação de abelhas @Jornal da Mealhada

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Apicultor da Mealhada revela desafios e curiosidades da criação de abelhas

O JM chegou de manhã ao terreno onde António Costa Teixeira cria as abelhas, sentindo-se um tempo ameno incomum.

O Dia Mundial da Abelha assinala-se hoje, dia 20 de maio. Tradicionalmente conhecidas por produzirem o mel e a cera e pela sua picada, que causa uma dor forte. Embora para a maioria das pessoas a primeira reação quando encontram este inseto seja fugir, há quem conviva diariamente com elas. Na Mealhada, o apicultor António Costa Teixeira cria abelhas num terreno perto da Póvoa da Mealhada. O apicultor contou ao Jornal da Mealhada (JM), que acompanhou o processo da produção da abelha, que já se habituou à dor quando é picado.

 O JM chegou de manhã ao terreno onde António Costa Teixeira cria as abelhas, sentindo-se um tempo ameno incomum. O apicultor descreve que normalmente o terreno é tomado por um calor intenso. Explicou que as temperaturas secas são as melhores para evitar a vespa-asiática, que prefere ambientes mais húmidos. É possível ver no terreno algumas flores, mas o apicultor ilustra que já passou a época mais bonita, em que o terreno inteiro se pinta de lilás por causa da urze, uma flor que as abelhas adoram.

Enquanto abre as caixas onde as abelhas estão alojadas, o apicultor conta ao JM que a sua história com os insetos vem do seu pai, que possuía colmeias chamadas, na altura, de cortiços. O apicultor também aprendeu a arte e hoje conta com 15 anos de criação dos insetos. Alerta que é preciso preparação e conhecimento para se fazer apicultura. “O que aconselho a toda a gente é uma formação para saber como é lidar com as abelhas e depois é o dia a dia que vai ensinando.”

Nesta altura do ano, o apicultor refere que há pouca criação. As suas caixas têm abelhas jovens e outras mais antigas separadas. Após abrir uma das caixas, as abelhas cercam o JM, mostrando-se, durante o tempo todo, curiosas com a câmara fotográfica e o telemóvel. Uma curiosidade sobre estes insetos que poucos conhecem, mas que o apicultor aponta ser uma característica inusitada: as abelhas sentem-se intensamente atraídas por aparelhos eletrónicos.

São vários os fatores que determinam a produção do mel na apicultura. José Costa Teixeira destaca duas condicionantes. “As abelhas produzem diferentes tipos de mel; estas produzem mel de urze, porque há aqui muita urze e eucalipto. Há anos piores, os últimos anos não têm sido muito bons, tem a ver com o tempo e a Vespa Asiática”, expressa.

O apicultor descreve que nas diferentes caixas decorrem vários processos. “Aqui tem um quadro novo de colmeia que a abelha tem que trabalhar, tem que puxar a cera e depositar o mel, e a postura de ovos. Mas, nesta altura, é mais mel do que criação”, refere. A organização social da abelha é complexa. Mas uma das maiores ameaças à vida das abelhas, segundo o apicultor, é a Vespa Asiática. Para as evitar, o apicultor explica que existem vários mecanismos, entre os quais estão “as armadilhas, o cavalo de Troia, o painel solar e as harpas elétricas”.

Um dos desafios da apicultura, segundo José Costa Teixeira, é trabalhar com o cortiço, que é um dos sistemas de apicultura mais tradicionais. É um abrigo natural feito de casca de sobreiro ou troncos ocos, onde as abelhas constroem os favos. A produção nos cortiços é menor e são mais difíceis de o apicultor trabalhar em comparação às colmeias modernas. “Se o cortiço estiver fraco, não há meios para a gente ajudar. Se uma colmeia estiver fraca, tiro um bocado de criação de uma para a outra, ou de alimento, e consigo recuperar a colmeia. A nível do cortiço, não há possibilidade”, ilustra o apicultor.

O JM observou de perto o apicultor retirar um dos vários apiários, à volta do qual um conjunto incontável de abelhas surgem outras que cercam o JM, e torna-se quase impossível gravar imagens dos insetos que insistiam em alojar-se na lente da câmara. José Costa Teixeira retira o alimentador, explicando que é uma ferramenta fundamental para garantir alimento às abelhas, principalmente em períodos mais difíceis de escassez ou para otimizar o desempenho do inseto. Mas fora das caixas, o apicultor refere que as abelhas escolhem as flores que querem, apontando a urze, o eucalipto, o medronheiro e a flor de laranjeira como algumas das favoritas das abelhas para a polinização.

As caixas que o apicultor utiliza para alojar as abelhas apresentam tamanhos e características diferentes. Aponta para uma das caixas mais compridas, que tem formigas e que afirma chamar-se Langstroth. José Costa Teixeira expõe que a finalidade é “darem mais mel, porque os quadros são maiores”. Ao abrir uma das caixas, mostra ao JM um dos enxames mais jovens deste ano.

O apicultor conta que a abelha “é um inseto complicado”, porque é difícil de compreender. José Costa Teixeira exemplifica que os apicultores metem caixas com atrativos como isca para apanhar enxames, mas elas podem ir para uma toca de uma árvore, uma parede ou um esgoto. “É complicado. O enxame, quando sai, tem umas abelhas sapadoras que orientam o resto. E podem ir para buracos, árvores ou para as caixas. Andamos a fazer atrativos para caixas e elas não olham a tempo. Elas é que escolhem o próprio caminho”, relata.

Estava a chegar ao fim a apresentação que o apicultor fazia das caixas, alertando o JM que, ao mexer numa das últimas, com a aproximação da câmara as abelhas podiam mudar o seu comportamento e deixarem de ser curiosas e começarem a atacar para protegerem o alimento. O que se constatou: numa das caixas era possível observar um comportamento diferente; as abelhas pousavam na câmara fotográfica e deixavam os ferrões espetados na superfície. Era possível sentir, por cima do fato, a força do inseto que, em voo sincronizado, tentava passar, sem sucesso, pelo fato de proteção que o JM tinha vestido.

Enquanto as abelhas se aglomeravam e dificultavam as gravações de imagens, o apicultor expressou que os apoios eram importantes para os apicultores. “Temos Câmaras Municipais que apoiam, naquilo que podem, como a de Penacova, no alimento em dezembro para as colmeias e em armadilhas para apanhar a vespa asiática. Acho que é preciso, a abelha faz muita falta à natureza”, afirma. O apicultor refere que os valores dos gastos variam muito e considera que “nunca há valores certos”. Realça que “gasta-se muito dinheiro. Se optar por uma manutenção e sair muito enxame, estamos sempre a gastar. Uma colmeia com cera fica à volta de 80 euros e para fazer 80 euros de mel é complicado. Isto por colmeia”, descreve.

O apicultor realça que as abelhas são insetos inteligentes e imprevisíveis, apontando que todos os dias vai aprendendo algo novo sobre o seu comportamento. No fim das gravações foi necessário caminhar para longe do local onde ficam as caixas, porque algumas continuaram a perseguir o JM. O apicultor que nos acompanhou pelo caminho e tentava afastar os insetos explicou que, quando se sentem ameaçadas, as abelhas esperam e perseguem a ameaça. No final, o apicultor teve de ir buscar o seu carro e o resto do material do JM, pois tornou-se impossível a colaboradora voltar, dado que as abelhas não desistiam da câmara fotográfica nem de tentar atacar.

Autor: Jornal Frontal

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