Rúben Rodrigues e Rui Raimundo venceram o Rali da Água 2026
Destaque para a prestação do co-driver de Cantanhede Vitor Hugo, que foi vice-líder da Peugeot Rally Cup Portugal com o piloto Joni Gonçalves
A dupla Rúben Rodrigues/Rui Raimundo em Toyota Yaris GR R2, venceu a edição de 2026 do Rali Transibérico Eurocidade Chaves-Verín de forma categórica, com o piloto a comandar as operações com paciência num traçado crescentemente traiçoeiro.
Realizaram os 99,9 quilómetros de especiais em asfalto num total de 296,06 quilómetros de prova, que decorreu dias 11 e 12 de setembro, com o tempo total de 55:32.1 minutos, seguidos do consagrado campeão algarvio Ricardo Teodósio navegado pelo habitual José Teixeira (Citröen C3 R2) com mais 14,8 segundos, completando o pódio o jovem vimaranense Guilherme Meireles (co-driver Pedro Alves) em Skoda Fabia R2 evo, com mais 1:12.3 minutos que o vencedor.
Destaque para a prestação do co-driver de Cantanhede Vitor Hugo, que foi vice-líder da Peugeot Rally Cup Portugal com o piloto Joni Gonçalves e ficando em terceiro na sua classe no Peugeot 208 R4.
A prova teve um contratempo antes da partida , na sexta-feira, dia 11 de setembro, pelo impedimento do uso de estradas em território espanhol, ao que apurámos por falta de celeridade na aprovação do governo central do país vizinho; anuladas as especiais Transibérico e o Shakedown, em Feces de Abaixo.
Solucionou a organização, que foi inexcedível com as equipas e com os Media, com o uso dos primeiros 3 quilómetros do troço anulado para shakedown e fazendo uso de tripla passagem nos troços em território português.
A tripla passagem foi deixando os troços com mais areia e terra, ou seja, mais traiçoeiros, o que tornou a prova mais interessante desportivamente; o shakedown por sua vez realizou-se num traçado muito rápido (terminava em Lama de Arcos e a começar na ponte sobre a A24) em que os mais rápidos realizaram cerca de 140 km/h de velocidade média.
Não foi pela rapidez do traçado mas por algo ainda por explicar, que Hugo Lopes e Magda Oliveira (Hyundai i20 R2) tiveram aqui um grave acidente, felizmente sem graves consequências para ambos, apesar de terem ido ao hospital para observação tendo alta horas depois.
O multicampeão de Santo Tirso Armindo Araújo e fazendo valer a rapidez do seu novo Skoda Fabia RS R2, fez o melhor chrono com 1:22,2 minutos, seguido de Ricardo Teodósio (1:22,7) e do Toyota Yaris R2 de Pedro Almeida (1:23,2 minutos.).
No shakedown iniciou-se a luta pela classe R4, onde definitivamente o jovem de apenas 19 anos Pedro Câmara (Peugeot 208 R4) se revela como um dos grandes talentos dos nossos ralis.
O piloto da MJ AUTO João Rodrigues em carro semelhante conquistou o melhor tempo com 1:29,6minutos contra os 1:31,6 minutos de Pedro Câmara.
Na parte da tarde de sexta-feira dia 11, veio a tripla passagem por Chaves com consequências definitivas para alguns dos pretendentes á vitória final.
Se Hugo Lopes estava já de fora, foi a vez de Armindo sair de estrada em Chaves3 perto do final, e bem perto deste e em Chaves2, ter sido Gonçalo Henriques a sair de estrada e abandonar.
Nos R4, se em Chaves1 João Rodrigues e Pedro Câmara fizeram o mesmo tempo, com o açoreano manifestamente mais seguro de si, na fatídica Chaves2 Pedro fura e João assume o risco de atacar forte, conforme nos informou.
Perante a perda de tempo de Pedro Câmara, João Rodrigues/Bruno Carvalho baixam o andamento e mesmo assim fazem um peão na super especial que os refreou.
Até ao fim do rali e ainda com seis especiais por realizar, a dupla soube gerir a vantagem e atacar quando era necessário; na power stage foram os primeiros, mas o açoreano não o perdeu de vista e fica a 2,6 segundos na especial.
Os sucessivos furos que teve no primeiro dia arredaram-no do pódio nas 2RM, mas com muita classe lutou até ao final.
O pódio ficou completo com o sempre regular Pedro Silva em Lancia Ypsilon HF R4, a 41 segundos do piloto de Mafra e o terceiro lugar foi obtido pelo leiriense Luís Caetano em Peugeot 208 R4 com mais 57 segundos que o vencedor.
Nas contas do título das 2RM, a dupla da MJ AUTO precisa de somar 20 pontos.
Voltando á principal classe, a R2, a sexta-feira teve mais surpresas: Armindo impõe a lei do mais forte em Chaves1, seguido de perto pelos Yaris de Pedro Almeida e Rafael Rêgo(Toyota Yaris R2), que lutaram muito, mas em Chaves2 foi a vez da “raposa do poletão”, Rúben Rodrigues, se impôr e colocar todos em sentido.
Aqui saí de estrada Gonçalo Henriques, que muito luta contra os poderosos Yaris e o novo Skoda RS R2.
Em Chaves3, Rafael explicou porque é piloto oficial, vence e anima a prova. Na super especial noturna, Pedro Almeida despista-se, entra numa rotunda e perde definitivamente contato com a frente da corrida.
Sábado dia 12, foi a continuação do show dos Yaris de Rúben(com muita astúcia) e com Rafael a vencer Alto Tâmega1 e Termas1, mas uma saída em Alto Tamega2 deita tudo a perder na prova mas não na carreira, que será muito em breve de conquistas, tal o progresso feito.
Até ao final Rúben geriu a prova, Ricardo Teodósio que inicialmente deu o show habitual, foi-se tornando mais eficiente na reta final do rali, com José Pedro Fontes a dar um ar da sua graça nas quatro especiais finais com duas vitórias, incluindo a power stage, e dois segundos lugares.
O piloto do Lancia Ypsilon R2 teve “apenas” três furos em Chaves3, deixando-o de fora da liderança da corrida, mas lutou sempre animando a parte final do rali.
Excelente organização do CAMI, com satisfação global das equipas e em especial no trato com os Media.
Pode consultar os resultados aqui.
Próxima prova o Rali Casinos do Algarve de 1 a 3 de outubro de 2026.
Autor: Carlos Oliveira


