Quinta-feira, 21 de Maio de 2026 às 10:16

Torres reviveu a Idade Média numa festa que aproximou Anadia e Arganil

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@Fernando Simões

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Cultura

Torres reviveu a Idade Média numa festa que aproximou Anadia e Arganil

A “Festa Medieval Torres” juntou autarcas, investigadores, convidados e a população num ambiente de recriação medieval

A aldeia de Torres, em Vilarinho do Bairro, recebeu este sábado a “Festa Medieval Torres”, uma iniciativa cultural e histórica que juntou autarcas, investigadores, convidados e população num ambiente de recriação medieval, convívio e valorização patrimonial.

O evento recreando a receção de do Rei D. Afonso iV em Terras de D. Martim Lourenço da Cunha, foi organizado pela Associação Recuperar a Aldeia de Torres. Contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Anadia, Jorge Sampaio, do presidente da Câmara Municipal de Arganil, Luís Paulo Costa, e ainda da presidente da Junta de Freguesia de Vilarinho do Bairro, Carla Fernandes, além de historiadores, académicos e amigos da Dra. Natália, fundadora da Associação e principal impulsionadora da iniciativa e investigadora apaixonada pela história de Torres.

Mais do que uma simples recriação histórica, a festa assumiu-se como um momento de aproximação entre os municípios de Anadia e Arganil, unidos por uma ligação histórica descoberta através da investigação documental desenvolvida nos últimos anos.

“Este momento foi muito relevante para mim, porque aproxima estes dois municípios, Anadia e Arganil, que estamos quase a tornar irmãos”, afirmou a Dra. Natália durante a iniciativa.

Segundo explicou, tudo começou com a descoberta de referências históricas datadas de 1355, relacionadas com D. Martim Lourenço da Cunha, senhor de Torres, que pediu ao rei D. Afonso IV mais terras. Perante a recusa do monarca, foi-lhe proposta uma troca por propriedades em Pombeiro da Beira, no concelho de Arganil.

“Ele aceitou e partiu para lá, o que fez com que Torres regressasse à posse do reino. Isso permitiu, mais tarde, a D. Manuel I conceder foral à terra, em 1515”, explicou.

A ligação histórica entre os dois territórios despertou o interesse de investigadores e responsáveis autárquicos, abrindo caminho a futuros estudos e iniciativas conjuntas.

A Dra. Natália revelou ainda que colegas do seu antigo curso universitário quiseram conhecer a aldeia, motivados pelas inúmeras referências e histórias que, ao longo dos anos, lhes foi contando sobre Torres.

“Juntei o útil ao agradável e pedi ao professor Luís Rêpas, da Universidade de Coimbra, para desenvolver um estudo mais aprofundado sobre a aldeia na Idade Média”, referiu.

O historiador e professor universitário apresentou, durante a manhã, a comunicação “Torres do Bairro na Idade Média”, numa cerimónia que decorreu no Largo da Capela de Torres na presença dos convidados e publico anónimo onde chegaram em cortejo. Usaram igualmente da palavra os dois presidentes de câmara convidados, tendo ambos enaltecido a importância da preservação da memória histórica para se construir melhor o futuro e manifestado disponibilidade para apoiar próximas iniciativas e projetos em Torres e Pombeiro da Beira.

A comitiva regressou depois, de novo em cortejo, até ao Paço Martim Lourenço da Cunha (Adega do Avelar), onde os visitantes puderam assistir à apresentação de artefactos e armas medievais, desfrutar de animação musical — a cargo do Grupo de Teatro de Cantanhede, Episódio — e degustar sabores tradicionais, num ambiente marcado pela forte participação comunitária. Muitos dos participantes envergaram trajes de época, ou adereços inspirados no período medieval, contribuindo para a recriação histórica do evento. O referido Grupo de Teatro assegurou ainda a personificação de D. Afonso IV de D. Martim e de outras figuras e personagens da época, enriquecendo o ambiente cénico e a envolvência da iniciativa.

A investigadora destacou ainda que o interesse gerado em torno da história local já está a produzir efeitos concretos, nomeadamente em Pombeiro da Beira, onde poderão surgir futuras iniciativas relacionadas com esta ligação histórica entre os dois
concelhos.

“Fico muito feliz por tudo isto, porque esta aldeia praticamente não tinha atividade cultural há cerca de dez anos. Começámos a fazer este tipo de investigação e hoje temos aqui os presidentes dos municípios a dar os parabéns pelo trabalho que está a
ser desenvolvido”, sublinhou.

No final, visivelmente satisfeita, a Dra. Natália destacou ainda o ambiente vivido ao
longo do dia.

“É muito importante registar a maneira como as pessoas aderiram e conviveram, de forma muito agradável. Todos dizem que se sentiram aqui muito bem.”
A iniciativa deixa no ar a possibilidade de novas edições e de um reforço da cooperação cultural e histórica entre os municípios de Anadia e Arganil.

Fotografias: Fernando Simões

Anadia

Autor: Fernando Simões

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