Diretor: 
João Pega
Periodicidade: 
Diária

“Precisamos de salas cheias! Caso contrário "não se ganha para o gasto!”


Wednesday, 15 May 2019

“Vou levar-te comigo” é a proposta de José Raposo, Vera Mónica e Diana Nicolau para o dia 19 de maio. A peça vai estar em cena no Cineteatro Municipal Messias, com início marcado para as 16h00, mas antes de levar o público a embarcar na peça, José Raposo e Vera Mónica falaram com o Jornal da Mealhada sobre a importância de levar o teatro a todo o país, a integração de Diana Nicolau no elenco, e sobre o sucesso que esta peça tem feito nos palcos por onde tem passado…

 

Jornal da Mealhada – “Vou levar-te comigo” é uma promessa cumprida, atendendo ao sucesso da peça. Certo?

José Raposo - Sim, penso que sim. Sabemos que estamos a cumprir com o que nos propomos quando enchemos as salas onde atuamos, vemos e ouvimos o público a rir e a cantar connosco ao longo do espetáculo, e quando no fim esperam para nos agradecer e dar os parabéns. Que seja sempre assim. É para o público que trabalhamos e é a ele que queremos agradar.

 

JM – De que é que fala esta peça?

JR - O espetáculo é sobre as memórias de dois veteranos atores, que são um ex-casal, e que decidem contratar uma jovem autora/encenadora para escrever um texto, que inclua as canções das várias fases das suas vidas e que conte a história das mesmas. Então, a peça passa-se durante um ensaio do suposto espetáculo que farão e que o público tem a oportunidade de ver "do outro lado da cortina". É um ensaio do espetáculo dentro do próprio espetáculo e com músicos ao vivo, que é uma mais-valia.

Há também um cruzamento entre as diferentes gerações e, consequentemente, diferentes visões e abordagens ao teatro e à vida. Fala-se de amor, de traição, de ciúme com muito humor e muita música à mistura!

 

JM - Segundo se lê na sinopse, esta é uma peça essencialmente musical, que promete revisitar canções de várias épocas. Que músicas é que o público pode ouvir no vosso espetáculo?

JR - Não vou desvendar quais as músicas mas, garantidamente, são músicas bem conhecidas do público português. São grandes êxitos dos anos 60, 70, 80 e 90. Temos músicas angolanas, brasileiras, italianas, francesas, espanholas e, claro, portuguesas!

Vera Mónica - São músicas intemporais que o público relembra e canta connosco.

 

JM – Em palco temos dois grandes nomes do teatro em Portugal: José Raposo e Vera Mónica. A eles soma-se o sangue novo de Diana Nicolau. Tem sido um encontro feliz em palco?

VM - Muito feliz, aliás, somos sempre felizes em palco com esta peça.

JR - Muito feliz! Conheço a Vera há mais de 30 anos e já não trabalhávamos juntos há imenso tempo. Encontrámo-nos o ano passado, nas gravações de "Circo Paraíso", e pensámos: "não é tarde nem é cedo", vamos fazer um espetáculo para andar em digressão e levar boa música, com comédia à mistura, ao povo português! Divertimos o público e divertimo-nos a nós!

A Vera é uma grande atriz, que não tem tido o reconhecimento devido por parte de quem decide e de quem escolhe os atores nas várias áreas. Ela vai do drama à comédia.

A Diana além de ter muito talento e ser muito profissional é uma pessoa muito generosa e engraçada.

Temos ainda três músicos fantásticos, prodigiosos, com muito "boa onda".

Portanto, quer no palco, quer fora dele, temos um ambiente muito saudável.

 

JM – Diana Nicolau integrou a peça em substituição de Sara Barradas. Foi fácil a integração no elenco?

VM - Claro, a Diana já é atriz há muitos anos e, embora não neste género, adaptou-se às mil maravilhas!

JR - A integração da Diana foi facílima. Ela e a Sara são amigas há muitos anos, conheceram-se nos “Morangos com Açúcar”, e quando pensámos em quem substituiria a Sara ela lembrou-se logo da Diana. São praticamente da mesma idade, são as duas talentosas e profissionais. A Diana, como já referi, é também muito generosa, prestável e proactiva, portanto agarrou o projeto com unhas e dentes e nota-se o seu bem-estar em cena.

 

JM – Sara Barradas saiu do elenco para viver a maternidade, no entanto, esteve em cena até pouco tempo antes de dar à luz. Lua é o nome da filha de Sara e José Raposo. O José acredita que a paixão pelo teatro se pode transmitir através do cordão umbilical?

JR - Não faço ideia como se transmite. Sabemos que, geneticamente, há características e predisposições que se transmitem e depois há o papel do meio ambiente onde a criança se insere, bem como a educação. Penso que o ambiente possa contar mais.

Eu sou ator, tenho dois filhos que cresceram a ver a mãe e o pai representar, e hoje são atores. Penso que terem "crescido no teatro" os influenciou, mas em cada um deles há qualquer coisa que os fez gostar disto, independentemente de eu e a mãe deles sermos atores. E mais importante, e isso sim, nasce com cada um ou não, têm talento. Sem talento, até podiam ser filhos do Al Pacino que nunca seriam bons atores! Porque o talento não se aprende. Trabalha-se, aprimora-se, mas não se aprende. Ou se tem ou não.

Quanto à minha filha mais nova, ela como os irmãos, será o que quiser. Veremos quando chegar a altura qual o seu talento.

 

JM – A descansar e a viver tempo de qualidade com a Lua, Sara está, neste momento, afastada do palco. Porém, continua a acompanhar a peça? Como é que está a correr o papel de mãe?

JR - Sim, a Sara acompanha de fora, até porque a produtora é nossa e burocraticamente ela tem muito mais jeito do que eu! A maior parte da gestão é dela.

Mas agora, de facto, está mais dedicada a outro papel, a um papel maior, o de mãe. E está a amar. Está felicíssima, estamos os dois.

Ela é uma mãe muito dedicada, muito cuidadosa e protetora. E nesta fase inicial dedica-se 24 horas a ela, como é normal.

 

JM – Recentrando-nos na peça “Vou levar-te comigo”, consideram importante que ela, assim como outras do mesmo género, vá ao encontro dos portugueses às salas de teatro de todo o país? Porquê?

VM – Sim, porque Portugal não é só Lisboa e Porto, e o público da “província” é muito mais genuíno, ou gosta ou não gosta!

JR - Sem dúvida! É a descentralização do teatro. É necessário levar cultura ao país real, ao país do interior, ao país no geral, porque o país não pode resumir-se a Lisboa e Porto, culturalmente falando.

Nós estamos a fazer isso e há, felizmente, grupos de colegas que andam há anos "na estrada" a fazê-lo. Colegas que admiro muito, pelos atores que são e pelo trabalho que fazem. E fazem-no das maiores cidades às mais pequenas aldeias. De grandes teatros às pequenas coletividades. E é muito importante levar às pessoas algo com que elas se identifiquem. E nesse campo o humor tipicamente português continua a marcar pontos.

 

JM – Levar uma peça como esta às salas de teatro implica um investimento na ordem de que valores?

JR - Isso é muito subjetivo. Quanto mais houvesse mais se investiria na qualidade de cada espetáculo e mais se poderia pagar aos seus criativos, desde o autor, encenador, cenógrafo, coreógrafo, desenhador de luz, técnico de som, atores, etc. ... O que acontece muitas vezes é que se corta em muitos destes "cargos" e uma pessoa acaba por combinar várias valências. Andar na estrada é diferente de estar em cena num teatro fixo em Lisboa. É necessário pensar num cenário simples e fácil de montar e transportar. Mas gasta-se muito em transporte de cenários e atores, desde o aluguer das carrinhas, ao combustível e portagens. Depois ainda há o resto das despesas logísticas: alimentação e estadia de toda a equipa. Falamos sempre em milhares para pôr uma estrutura destas a andar pelo país. Por isso precisamos de salas cheias! Caso contrário "não se ganha para o gasto"!

 

JM – É a primeira vez que atuam na Mealhada?

VM - Com esta peça sim, mas eu já lá fui com revistas à portuguesa.

JR - Não, não é a primeira vez, e não será a última certamente! É uma cidade que adoro, e onde se come tão bem!

 

JM – Que expectativas têm para o espetáculo de 19 de maio?

VM - Uma casa cheia, e que o público saia feliz e satisfeito!

JR - Esperamos uma sala cheia de público, a gostar tanto como nós gostamos deste espetáculo! Que se divirtam muito e regressem a casa alegres e bem-dispostos depois uma noite bem passada! Porque de tristezas e desgraças estão as pessoas fartas, e nós também!

 

Fotografia:

1 – José Raposo e Vera Mónica | Créditos Fotográficos: Rui Louraço