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Liga Portuguesa de Bombeiros reclama ao Ministério da Saúde pagamento de mais de 35 milhões de euros


sábado, 09 fevereiro 2019

No passado dia 8 de fevereiro, a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) fez saber que os hospitais devem aos bombeiros mais de 35 milhões de euros, “nalguns casos há mais de um ano”. Atendendo ao risco de interrupção do serviço de assistência aos doentes, a LBP convocou uma audiência com Francisco Ramos, Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, não tendo ainda qualquer resposta da parte do Governo.

As associações e corpos de bombeiros estão à beira da rutura”, começa por afirmar o Comandante Jaime Marta Soares, presidente da LBP, situação que diz estar diretamente ligada “aos atrasos nos pagamentos dos serviços prestados ao Ministério da Saúde, com particular incidência nos hospitais, cuja dívida acumulada já ultrapassa os 35 milhões de euros”.

Sem data prevista para a regularização da dívida, a LBP declara que esta é uma situação que se arrasta no tempo e recorda que “no passado sucessivas promessas do Ministério da Saúde para a regularização das dívidas nunca foram cumpridas”. Esta situação traz, por isso, “graves prejuízos acumulados, que podem incapacitar os bombeiros de continuarem a arcar com os custos inerentes à prestação dos serviços de saúde”, vaticina o presidente da LBP.

Além da questão financeira, a LBP refere que existem outras situações, igualmente “graves”, relativas ao transporte de doentes, “nomeadamente o tempo de espera nos hospitais para recuperar as macas que ficam retidas nas urgências, nalguns casos mais de sete horas, impossibilitando as ambulâncias e respetivas guarnições de nesse período poderem intervir em mais situações de socorro”, afirmou o Comandante Jaime Marta Soares.

O presidente da LBP disse à comunicação social que para além da calendarização da amortização da dívida e a garantia do cumprimento das regras estabelecidas pelas unidades hospitalares, também os concursos públicos para o transporte não urgente de doentes e a forma “desarticulada” como as diferentes administrações regionais de saúde gerem o Sistema Gestão de Transporte de Doentes (SGTD), tida como “lesiva dos doentes e das associações e corpos de bombeiros”, estarão em cima da mesa na audiência que pretendem ver agendada com Francisco Ramos.

De acordo com o presidente da LBP “os Bombeiros são responsáveis por 98% do transporte de doentes não urgentes, pelo socorro em acidentes e outras intervenções de pré-hospitalar, que representam 85% dos serviços executados a solicitação do INEM, no âmbito do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM)”.